Uma preocupação comum entre pais e responsáveis sobre a chegada dos filhos à escola. O aumento dos casos de dengue e chikungunya. Os desafios enfrentados por estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Três situações diferentes, vividas em municípios de Rondônia, deram origem a soluções desenvolvidas por jovens que agora representarão o estado na etapa nacional da 4ª edição do Desafio Liga Jovem (DLJ).
As equipes SmartCampus, de Pimenta Bueno, Toca do Coelho, de São Miguel do Guaporé, e Lummenus, de Porto Velho, conquistaram o primeiro lugar estadual nas categorias Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Profissional, respectivamente. A competição, promovida pelo Sebrae, incentiva estudantes de todo o país a identificar problemas reais e desenvolver soluções inovadoras com potencial de impacto social.
Para a analista técnica do Sebrae em Rondônia e coordenadora do programa Educação que Transforma, Rita de Cássia, os projetos demonstram como a Educação Empreendedora contribui para formar estudantes mais protagonistas e preparados para enfrentar desafios.
“Quando os jovens passam a observar a realidade ao seu redor e percebem que podem criar soluções para problemas concretos, eles desenvolvem competências que vão muito além da sala de aula. São experiências que estimulam criatividade, iniciativa, colaboração e capacidade de transformação”, destaca.
A mobilização dos participantes para o Desafio Liga Jovem em Rondônia contou com o trabalho dos interlocutores regionais do Sebrae. A sensibilização das inscrições foi conduzida por Alberto Ferreira Saavedra, analista técnico da Regional de Porto Velho; Davi Lima e Silva, analista técnico da Regional de Rolim de Moura, que atende o município de São Miguel do Guaporé; e Vanessa Salame, analista técnica da Regional de Pimenta Bueno. A atuação dos profissionais foi fundamental para aproximar escolas, educadores e estudantes da iniciativa, ampliando a participação de equipes de diferentes regiões do estado.
Tecnologia para aproximar escola e família

Em Pimenta Bueno, estudantes do 8º ano da Escola Estadual Professor Valdir Monfredinho encontraram uma forma de fortalecer a comunicação entre a escola e as famílias.
O resultado foi o SmartCampus, sistema que registra a entrada e a saída dos alunos e envia notificações automáticas aos responsáveis por e-mail e WhatsApp. A ideia surgiu a partir da necessidade de acompanhar com mais segurança a rotina escolar dos estudantes.
Além de facilitar o acesso à informação, a ferramenta pode auxiliar a escola no monitoramento de atrasos e ausências, contribuindo para a identificação precoce de situações que demandem atenção da equipe pedagógica.
Outro diferencial é que o sistema já está em funcionamento e possui potencial de adaptação para outras instituições de ensino.
A equipe é formada pelos estudantes Agatha Angelina Fraga Pereira, Ana Carolina da Silva Franco, Arthur Barros Manzoli, Mariane Bertozzi Simonelli e Julia Fongaro Rosa, sob orientação da professora Cleidiane Travesani.
Biodiversidade amazônica inspira solução para a saúde

Em São Miguel do Guaporé, a preocupação com os impactos provocados pela dengue e pela chikungunya motivou o desenvolvimento do projeto Toca do Coelho, da Escola Estadual Princesa Isabel.
A iniciativa resultou na criação de dois produtos: o Repelente Spray Herbal e a Pomada Seiva Nativa, elaborados com ingredientes da biodiversidade amazônica, como copaíba, breu branco e castanha-do-pará.
Mais do que desenvolver uma alternativa voltada ao bem-estar da população, o projeto aproximou os estudantes de temas como sustentabilidade, uso responsável dos recursos naturais e bioeconomia, valorizando o potencial da floresta amazônica como fonte de inovação.
A equipe é formada pelos estudantes Samyra Santos Barros e Daniel Alecrim Vidal, com orientação do professor Adeilton Freire Leal.
Plataforma educacional nasce dos desafios da EJA

Em Porto Velho, a equipe Lummenus, do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) Campus Porto Velho Zona Norte, voltou seu olhar para os desafios enfrentados por estudantes da Educação de Jovens e Adultos.
A partir dessa realidade, o grupo desenvolveu o LeDuc, plataforma educacional voltada à personalização da aprendizagem e ao acompanhamento do desempenho dos estudantes.
A ferramenta reúne recursos como trilhas de aprendizagem, atividades, feedback imediato, gamificação e recomendações personalizadas. A proposta também permite que professores e gestores acompanhem indicadores que auxiliem na tomada de decisões pedagógicas.
O projeto está em fase de desenvolvimento e validação do protótipo, tendo como próxima etapa a construção de um Produto Mínimo Viável (MVP) para testes com usuários.
A equipe é formada por Júlia Moraes de Almeida, Debora Pereira de Oliveira, Carlos Miguel Cunha Carvalho e Júlia Lima Bastos, sob orientação do professor Ranieri Braga dos Santos.
Soluções que nascem da realidade
Embora atuem em áreas diferentes, os três projetos compartilham uma característica em comum: surgiram da observação de situações reais vivenciadas pelos próprios estudantes.
Enquanto o SmartCampus busca fortalecer a comunicação entre escola e família, o Toca do Coelho utiliza a biodiversidade amazônica para desenvolver alternativas relacionadas à saúde. Já o LeDuc aposta na tecnologia para contribuir com a aprendizagem e permanência de estudantes da EJA.
Agora, com a conquista da etapa estadual, os projetos rondonienses ganham visibilidade nacional e seguem mostrando que inovação e empreendedorismo também nascem da capacidade de observar o cotidiano e transformar desafios em oportunidades de impacto para a comunidade.
Informações sobre as ações do Sebrae em Rondônia podem ser encontradas no site www.sebrae.ro ou pelo telefone gratuito 0800 570 0800. Também é possível acessar a loja virtual em sebrae.ro/loja e acompanhar as novidades pelas redes sociais Instagram, TikTok, Facebook, LinkedIn e YouTube (@sebraero).
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