
Equipe do Sebrae em Rondônia, juntamente com o ICMBIO, SEMAGRIC e a EMATER, acompanhou o procedimento de abate teste da carne de jacaré na ultima semana (14). Trata-se de um procedimento técnico que antecede a captura propriamente dita para o abate e comercialização. Após o laudo de inspeção, fornecido pelos veterinários da SEMAGRIC, a Cooperativa CoopCuniã poderá realizar a captura, abate e comercialização da carne e do couro. Esta atividade caracterizada como Bioeconomia, representa uma excelente oportunidade de renda para aquela comunidade tradicional.
Na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Porto Velho, a conservação da floresta e a geração de renda caminham lado a lado. É nesse território, marcado pelo conhecimento tradicional e pela relação histórica das comunidades com os recursos naturais, que o Sebrae em Rondônia vem apoiando uma agenda voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva da carne de jacaré, tendo como princípios a sustentabilidade, a organização comunitária e a valorização econômica dos produtos da sociobiodiversidade.

A proposta é fortalecer essa atividade econômica tradicional, visto que, quando realizada dentro das normas ambientais e sanitárias, trona-se uma alternativa de receita para as famílias extrativistas. O manejo sustentável do jacaré-açu já é reconhecido pelo ICMBio como uma possibilidade de uso sustentável dos recursos naturais da Resex, com foco no abate regulamentado para comercialização da carne e do couro.
Nesse processo, o Sebrae atua para agregar conhecimento de gestão, organização da produção, acesso a mercados, inovação e competitividade. Em 2026, por meio do Sebraetec, a instituição também apoiou tecnicamente a regularização ambiental do frigorífico de jacarés da COOPCUNIÃ, contribuindo para o processo que resultou na Licença de Operação emitida pelo Ibama.
A regularização representa um passo importante para que a atividade avance com segurança e possa gerar maior valor para a comunidade. A lógica é simples: quanto mais organizada e estruturada estiver a cadeia, maiores são as possibilidades de agregar valor ao produto, ampliar mercados e fazer com que uma parcela maior da riqueza permaneça no território.
Uma identidade que pode ganhar reconhecimento
Outra frente estratégica começa a ganhar forma: Consultoria para estruturação da Indicação Geográfica (IG) da carne de jacaré do Lago do Cuniã.
O trabalho dará continuidade ao que foi identificado no diagnóstico realizado em 2025, com a demonstração de potencialidade da Carne de Jacaré, para ser reconhecida enquanto IG – Indicação Geográfica. Agora seguirá uma nova etapa do trabalho para o reconhecimento da IG pelo INPI – Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, prevista para ocorrer de 1º a 6 de setembro de 2026, na própria Resex. A proposta é coletar evidências técnicas e científicas dos elementos que relacionam o produto ao território, sua origem, características, modo de produção e conhecimentos associados à atividade.
Mais do que um selo, uma Indicação Geográfica pode representar uma estratégia de desenvolvimento regional, econômica e cultural. O reconhecimento da origem permite proteger e diferenciar o produto, fortalecer sua identidade e criar condições para que o consumidor associe a carne de jacaré a uma história, a um território e a um modelo de produção baseado na conservação da biodiversidade e no conhecimento das comunidades tradicionais.
A Prefeitura de Porto Velho e o Sebrae já estabeleceram parceria para estruturar o destino turístico e inseri-lo no mercado de negócios turísticos, utilizando a metodologia de Destinos Turísticos Inteligentes. A proposta inclui fortalecimento das capacidades locais, empreendedorismo comunitário e criação de experiências autênticas e sustentáveis.
A carne de jacaré pode deixar de ser vista apenas como um produto isolado e passar a fazer parte de uma narrativa maior sobre o território: a floresta preservada, os rios, a pesca, o extrativismo, a culinária, os saberes tradicionais e a capacidade das comunidades de produzir e empreender sem romper com o ambiente que sustenta seu modo de vida.
O desafio é fazer com que o crescimento econômico não descaracterize a comunidade, mas, ao contrário, fortaleça sua autonomia e sua identidade. “É um modelo em que preservar e produzir não são caminhos opostos: são partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável. Por isso, estamos aqui a observar o abate teste para confirmar o grande potencial de geração de renda para a comunidade local”, disse Carlos Eduardo Sakagami, diretor técnico do Sebrae em Rondônia, que liderou a visita técnica à Resex na última semana.

São parceiros do Projeto Turismo de Rondônia a Prefeitura Municipal de Porto Velho (via Semtel), o ICMBio e a Fecomércio, além da comunidade local que está motivada com o processo.
Mais informações sobre as ações do Sebrae em Rondônia podem ser encontradas no site www.sebrae.ro ou pelo telefone gratuito 0800 570 0800. Também é possível acessar a loja virtual em sebrae.ro/loja e acompanhar as novidades pelas redes sociais Instagram, TikTok, Facebook, LinkedIn e YouTube (@sebraero)
